Cômodo da casa onde nasceu ClaretNo ano de 1807, nasce em um lar humilde de Sallent (Barcelona), Antônio Maria Claret. Trabalhando desde cedo no modesto tear de seu pai, ele logo se torna um hábil operário.
Com o exemplo dos pais, na fé firme e na piedade ungida das antigas famílias espanholas, o jovem Antônio se torna, sobretudo, um cristão exemplar. Aos cinco anos - conta em sua Autobiografia - o problema da eternidade era uma profunda preocupação. (...) Aqui principia sua santidade e seu zelo apostólico: salvar a alma, salvar as almas.
Aos vinte e dois anos pensou em ser monge e entrar na Cartuxa. Entretanto, ele não havia nascido para a tranqüilidade monástica. Queria ser sacerdote, mas itinerante, apóstolo peregrino, missionário entre infiéis. E eis que faz-se jesuíta para alcançar este objetivo.
Começou sendo pároco em Viladrau, fazendo maravilhas. Entretanto, parece que tinha brasas no peito e seus pés se moviam como asas. Os caminhos eram para ele um invencível (constante) incentivo. Havia muitas almas para salvar...! Não houve em toda Catalunha caminho que ele não tivesse percorrido naqueles sete anos de apóstolo peregrino.
Em uma mão uma vara dava firmeza aos seus passos, e na outra, um grande lenço embrulhado guardava pobremente alguma coisa para comer e umas poucas peças de roupa. Em seguida, a pregação inflamada e avassaladora, as igrejas abarrotadas, as conversões sem conta, os milagres, as multidões correndo atrás dele.
Nessa época Santo Antônio Maria Claret faz algumas fundações. Primeiramente, a Livraria Religiosa, em Barcelona. Queria inundar a Espanha de livros e folhetos para as almas simples e para as mentes cultas. Difundir a verdade de Deus em todos os estilos. Apresentamos algumas cifras: no primeiro ano edita 127.000 volumes. Nos oito meses seguintes, 200.000. Depois, em cada ano, não baixava de meio milhão. Nos dezenove primeiros anos alcançou a cifra de 9.569.800 exemplares. A maior parte distribuída pessoalmente por ele, gratuitamente. Era um apaixonado pela propaganda religiosa.
No dia 16 de julho de 1849, em Vic (Espanha), funda a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria. Queria dar continuidade à sua obra apostólica. Queria deixá-los como herdeiros e apóstolos de sua entranhável devoção ao Coração da Mãe de Deus. Esta devoção ele soube unir admiravelmente à do Santo Rosário. Hoje a Congregação dos Claretianos - com trinta e três províncias religiosas - se estende por todo o mundo, em sessenta e três países dos cinco continentes.
Santo Antônio Maria Claret, por obediência à Igreja, deixou a Espanha e veio para a América. Com que zelo cultivou esta "vinha jovem", como gostava de chamá-la. Por espaço de sete anos foi Arcebispo de Santiago de Cuba. Era também metropolitano de Porto Rico.
A caridade do Arcebispo era imensa e transbordava até os pobres. Foi ele quem introduziu em Cuba as "Caixas de Poupança"; foi ele que fundou uma grande Casa de Beneficência, onde os meninos internos aprendiam ofícios diversos, nela se instalou uma Granja Modelo, para os vários projetos de agricultura. Para este fim redigiu duas obras: Reflexões sobre a Agricultura e As Delícias do Campo.
No ano de 1857, Isabel II o escolhe para ser o seu confessor. Cansada de tantas intrigas e decepcionada com tantas deslealdades, a pobre rainha necessitava de alguém em quem pudesse confiar e com quem pudesse se aconselhar. Ninguém melhor do que um santo. Porém, para os políticos esta escolha da rainha não lhes era conveniente e todo o Governo se opôs. Mas Padre Claret não se abalou e exerceu seu cargo com zelo e discrição inigualáveis. Soube falar à rainha com cristã liberdade. Não se meteu em política, mas sempre orientou a rainha para que agisse de acordo com sua consciência. A Corte espanhola floresceu então em piedade e bons costumes. Quando Isabel II - contra a sua vontade reconheceu o Reino da Itália, o Padre Claret se afastou então de sua companhia. Voltou novamente ao serviço de Isabel II por mandato do Papa Pio IX, e na hora crucial do destronamento, na revolução de 1868, foi quase o único que acompanhou a "rainha dos tristes destinos" ao desterro. O bem que o Padre Claret fez desde este cargo é incalculável, sobretudo para o bom andamento da Igreja espanhola.
Padre Claret parecia não conhecer limites. Agora - sem abandonar seus ministérios - recebe o encargo, por vontade de Isabel II - do Real Mosteiro do Escorial, que estava abandonado. Lá, instalou uma comunidade de capelães, um coro de cantores, um seminário e um colégio, além de dotá-lo de uma biblioteca, laboratório de Física, ornamentos, salas de estudo, de ginástica, de recreação, dormitórios, classes e de um grande pomar de árvores frutíferas.
Última fotografia do Padre Claret, feita em Paris em 1869, por TrinquartE este homem, que gastou sua vida servindo a Deus e ao próximo, foi furiosamente odiado e perseguido. Não se pode compreender como os inimigos chegaram a tanta infâmia: sátiras de mau gosto, piadas grosseiras, escritos e gravações pornográficas, agressões espalhadas por toda parte: nos artigos dos jornais, em versos e canções populares, em textos claretianos maldosamente falsificados, em caricaturas insultantes e obscenas, em rumores profusamente difundidos. Até as caixas de fósforo serviam de veículo indecente para as caricaturas e piadas infames. Ancião e muito doente, buscou refúgio na Abadia de Frontfroide
. Os monges o acolheram com caridade edificante. Mas até ali chegou a fúria de seus inimigos. Os revolucionários de Narbona, instigados pelos revolucionários espanhóis, quiseram invadir o Mosteiro e arrancá-lo do leito em que jazia moribundo. Assim morreu o Padre Claret, em terra estrangeira, longe da mãe pátria, confortado com o amor e a presença de seus filhos e a Hospitalidade dos monges cistercienses. Sobre sua sepultura, como epitáfio, puseram as conhecidas palavras do Papa São Gregório VII:
"Morro no desterro por ter amado a justiça e odiado a iniquidade".

