Investir em projetos sócio-educativos com gratuidade “para que todos tenham vida”. É dessa forma que a Associação Solidariedade e Esperança – ASES, desenvolve seus programas de inclusão social em São Paulo.
A Congregação Claretiana, após o Concílio Vaticano II, sempre motivou os seus membros ao trabalho missionário de evangelização cada vez mais comprometido com os pobres. Além disso, a Província, também deve estar em sintonia com a missão da Igreja no Brasil e na América Latina. Quem não se lembra dos objetivos da missão claretiana – “opção preferencial pelos pobres ...”; “o mais urgente, oportuno e eficaz ...”; “em missão profética ...”; “servidores da Palavra ...”? Hoje, os compromissos prioritários da missão estão enunciados no documento do último Capítulo Geral: “Para que todos tenham vida”.
Foi nesse contexto de espírito evangelizador, atendendo ao apelo da pastoral de “áreas carentes” da arquidiocese de São Paulo que nasceu um pequeno projeto pastoral da paróquia “Coração de Maria”, voltado para moradores em pensões e cortiços, pessoas em situação de vulnerabilidade social ou de risco.
Em 23 de outubro de 1985, festa de Santo Antônio Maria Claret, teve início, com 120 crianças pobres, o primeiro Centro de Educação Infantil “Coração de Maria”, então chamado creche.
A ASES é uma das diversas atividades que os claretianos desenvolvem na Província. A missão a que ela se propõe é dar aos excluídos condições de vida digna para que possam, também eles, participar dos benefícios do crescimento e do progresso, atendendo às palavras de Jesus, “para que todos tenham vida em abundância” (Jo 10, 10).
A realidade social da cidade de São Paulo é chocante. Quem não se deparou ainda com crianças pobres vendendo balas, pedindo moedinhas ou fazendo malabarismos diante dos carros nos cruzamentos, ou ainda catando restos de comida nos sacos de lixo, ou cheirando cola, ou dormindo, com ou sem os pais, debaixo dos viadutos, marquises e elevados?
Segundo o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social da Fundação SEADE (2004) são mais de 568.000 as crianças e os adolescentes (de zero a 18 anos) tanto no centro quanto nas periferias que sobrevivem(!?) de forma sofrida e desumana em circunstâncias de extrema necessidade. Acrescente-se a esse quadro mais de 550 mil jovens de 18 a 24 anos que não conseguem emprego na Capital (DIEESE e SEADE, 2005).
A ASES não quer ficar indiferente a essa realidade. Sensível a esse drama de milhares de famílias, ela procura cumprir a sua missão institucional com o objetivo de garantir as condições básicas para a dignidade da pessoa e o exercício dos direitos humanos. A ASES quer ser e é atuante na responsabilidade social e entende que prevenir é melhor que remediar. E ao mesmo tempo é sinal eclesial de exercício da justiça e de esperança na solidariedade.

A ASES é uma instituição beneficente, filantrópica, sem fins lucrativos. Foi criada para organizar ações, estruturar e executar projetos para acolher crianças, adolescentes e jovens cujas famílias não têm renda ou têm renda familiar de um salário mínimo.
A ASES desenvolve um programa de projetos, próprios e em parceria, exercedo a sua missão de educação, proteção, promoção e inclusão social voltados à infância, à adolescência e à juventude em situação de vulnerabilidade social ou de risco.
A execução desses projetos, hoje, justifica a manutenção de 4 (quatro) Centros de Educação Infantil (creches) que acolhem 605 crianças, 2 (dois) Núcleos Sócio-Educativos (centros de juventude) que acolhem 215 adolescentes e desenvolve 4 (quatro) Projetos Educativos e de capacitação profissional — escola para a vida — para 33 adolescentes e jovens.
• Contribuir para a garantia plena dos direitos das crianças e adoles-centes (de 0 a 14 anos) e jovens (de 16 a 20 anos) pobres, conforme a Constituição Brasileira e o Estatuto da Criança e do Adolescente. • Desenvolver projetos sócio- educativos e de capacitação profissional com 100% de gratuidade. • Aplicar métodos de educação (supervisionados pela Secretaria de Educação do Município) e desenvolvimento de aptidões e capacidades engajando as famílias dos acolhidos no processo sócioeducativo. • Minimizar o sofrimento das famílias, que vivem em condições de extremo desconforto nas pensões e cortiços dos bairros Santa Cecília, Barra Funda e nas favelas, pequenas casas e barracos em Pirituba (S. Paulo, Capital) e em Itapecerica da Serra, SP.
Oferecendo diariamente 5 refeições diárias reforçadas, variadas e balanceadas. • Desenvolvendo atividades sócioeducativas e recreativas, adequadas a cada idade, com programa e metodologia semelhantes às escolas particulares, incluindo apresentações de teatrinhos, danças, coral, música, etc., sempre em datas comemorativas, festivas e religiosas. • Promovendo passeios ao zoológico, parques, exposições, circos, levando ao teatro e a pequenas excursões. • Dispondo de atendimento médico, odontológico, psicológico (e ginecológico para as mães) com acompanhamento de enfermeira e assistente social. • Reunindo mensalmente diretores, educadores, funcionários, pais e mães das crianças e adolescentes para avaliações, orientações, formação humana, psicológica e religiosa, programação de atividades, organização de festas, eventos, celebrações, etc. • Prestando contas mensalmente à Secretaria de Educação e Assistência Social do Município.
Fazendo parceria com órgãos públicos (Prefeitura de São Paulo — Secretaria de Educação e Assistência Social) e particulares (Ação Social Claretiana, Colégio Claretiano, Igreja do Imaculado Coração de Maria, ONGs e a Fundação Solidariedade e Esperança MPC). • Promovendo eventos beneficentes (bazares, chás, almoços, festas, “açõesentre- amigos”, etc.). • Propondo a ajuda de colaboradores (empresas e pessoas simpatizantes com a causa da criança e do jovem pobres) comprometidos com a inclusão social.

Em São Paulo, na Capital e em Itapecerica da Serra: • Em 4 Centros de Educação Infantil, acolhendo 610 crianças. • Em 2 Núcleos Sócio-Educativos, acolhendo 213 adolescentes. • No Colégio Claretiano (em parceria com os projetos sócio-educativos e de capacitação): em salas, laboratórios de informática, biblioteca e quadras de esportes, acolhendo 33 jovens.
Com os Centros de Educação Infantil, R$ 1.229.702,33. Com os Núcleos Sócio-Educativos R$ 346. 993,74. Com alguns projetos sociais de capacitação profissional R$ 14.706,34. A prestação de contas junto ao Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) é anual pois a entidade precisa oficialmente justificar seu registro de filantropia. (Até o final de 2006 a Associação Solidariedade e Esperança - ASES, terá um aumento de 12% de investimento nas Creches e Núcleos Sócio-Educativos, e para os projetos de Educação e Capacitação uma verba de 265 mil reais).
Coordenação e apoio das atividades: CEIs “Coração de Maria” e “Claret” com 410 crianças: Cláudio Gregianin, cmf. • Núcleos Sócio Educativos “Paulo VI” e “Claret” com 215 adolescentes e o CEI “Chaquibe Fandi Kalil” com 150 crianças: Nestor Zatt, cmf. • Centro de Recreação Infantil “Fanny” com 50 crianças: José Francisco Pires de Andrade, cmf. • 4 projetos “Artecer” e “Arte& Sabor” com 33 jovens: Bernardino Foiato, cmf. • Atual diretor presidente: Helmo C. Faccioli, cmf. (Obs. – A contabilidade é executada pela Controladoria da Ação Social Claretiana, em São Paulo, SP, onde está situada a sede da ASES, à rua Martim Francisco, 636).
As atividades da Associação Solidariedade e Esperança – ASES – apontadas nessa síntese, são expressões do esforço de claretianos (“em missão partilhada” PQTV 37*) com 135 funcionários registrados, dezenas de voluntários e centenas de colaboradores. Juntos trabalhamos pela causa da missão claretiana, colocada e assumida como prioridade voltada aos empobrecidos... “a solidariedade com os pobres, os excluídos e os ameaçados no seu direito à vida” (PQTV 40). Temos consciência de que “como Missionários Claretianos, estamos contribuindo — a partir da nossa pequenez e limitações — para a grande missão do Reino de Deus, no nosso tempo” (PQTV 31).
[* Documento: “Para que todos tenham vida”, XXIII Capítulo Geral - CMF - Roma, 2003].
São Paulo, julho de 2006
Cláudio Gregianin, cmf
Diretor/procurador da ASES

