De acordo com Pe. Jaime Clotet, “conhecida a vontade de Deus, o Pe. Claret chamou vários sacerdotes, propondo-lhes o plano concebido, alguns deles aceitaram, outros, ou não se sentiram com ânimo para segui-lo, ou os impediu algum obstáculo invencível”. Os que aceitaram o convite foram cinco jovens sacerdotes, que, a partir da convocação, apressaram os passos em direção ao Seminário diocesano de Vic.
Na sua Autobiografia Claret dá destaque a esse encontro: “Falei com alguns sacerdotes, a quem Deus havia dado o mesmo espírito com o qual eu já me sentia animado. Estes eram: Estevão Sala, José Xifré, Domingos Fábrega, Manuel Vilaró, Jaime Clotet, Antônio Claret, eu, o menor de todos; e, na verdade, todos são mais instruídos e virtuosos que eu e me tinha por muito feliz e ditoso ao considerar-me criado de todos eles” (Aut 489). Segundo Pe. Clotet, a síntese do projeto que o próprio Pe. Claret lhes comunicou era de formá-los no espírito apostólico o qual ele estava animado.
A confiança do Pe. Claret no ideal comum que dava origem a Congregação o levou a dizer firmemente: “Hoje damos início a uma grande obra”. Em contrapartida, Pe. Manuel Vilaró, observando a realidade sorriu e com um pouco de sensatez indagou: “Qual a sua importância, sendo nós tão jovens e tão poucos em número?”. Tais palavras assemelham-se ao questionamento de Maria ante o mistério de Deus pelo anuncio do anjo: “Mas, Como será isto?” (Lc 1, 34a).E como que profetizando, Claret diz: “Vocês já verão e se somos poucos, resplandecerá mais o grande poder de Deus”. Era o Espírito Santo que falava na voz do fundador, o mesmo Espírito que falou a Maria: “O Espírito de Deus virá sobre ti” (Lc 1, 35a).
De um grande amor compartilhado pelo Reino de Deus, nasceram os Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria para serem no mundo Servidores da Palavra a exemplo dos apóstolos, no cultivo da vinha do Senhor.
Este grupo de homens que se animavam reciprocamente num mesmo espírito apostólico, no momento da fundação gozavam das veredas da juventude. Os que se juntaram a Claret, a época com 41 anos, sentiam-se animados pelo mesmo Espírito, porém nem todos se conheciam previamente: Estevão Sala, de 37 anos, era culto, prudente e colaborador de Claret; Manuel Vilaró, com 32 anos, virtuoso, companheiro na campanha missionária em Tarragona; Domingos Fábregas, da mesma idade, boa pessoa, convidado à última hora; José Xifré, também de 32 anos, enérgico, empreendedor, missionário; Jaime Clotet, que ainda iria completar 27 anos, homem fiel e amável, nunca tinha estado pessoalmente com o Fundador, apesar de conhecê-lo de vista e de ter ouvido falar do seu zelo missionário.
“Um Filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade; que abrasa por onde passa; que deseja eficazmente e procura através de todos os meios inflamar todo o mundo com o fogo do divino amor. Nada o detém, goza-se nas privações, aceita os trabalhos, abraça os sacrifícios, compraz-se nas calúnias e alegra-se nos tormentos. Não pensa senão em como seguir e imitar Jesus Cristo em trabalhar, sofrer, em procurar sempre e unicamente a maior glória de Deus e a salvação das almas”




"Somos e nos chamamos
Filhos do Imaculado Coração de Maria" Claret
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