Missionários
Claretianos Brasil

Necrologium Claretianum

Irmão José Roset Torrents

22/04/1945 (77 anos)

São Paulo, SP, Brasil

São Paulo, SP, Brasil

 

I

rmão JOSÉ ROSET TORRENTS

(Faleceu no dia 22/04/1945 em São Paulo, com 77 anos.)

 

Quando a nossa Província Brasileira se preparava  jubilosa, para festejar o quinquagésimo aniversário da chegada ao Brasil dos primeiros Missionários Claretianos, festões de luto lhe emolduraram a fronte, ante a triste perspectiva do desaparecimento da última relíquia daquela primeira leva de apóstolos Cordimarianos que pisaram as praias brasileiras.

A casa de São Paulo, que se orgulhava de conservar este tesouro, sentiu a mágoa profunda de vê-lo desaparecer, quando, no dia 22 de Abril assistia, pesarosa, à morte do bondoso Irmão José Roset Torrents.

Nasceu nosso Irmão em Castell de Arens a 1º de Novembro de 1868.

Nada sabemos de seus primeiros dias. Podemos, porém, afirmar que viu primeira luz do mundo embalado pelos sentimentos religiosos duma família piedosamente cristã.

Fazemos esta afirmação pelo fato de sabermos que, já nos anos de sua infância, se dedicou ao serviço de Deus, auxiliando como coroinha e, mais tarde, como sacristão o pároco da localidade onde nasceu.

Atravessou os dias críticos da mocidade cultivando no seu coração a flor encantadora da pureza, que mais tarde havia de consagrar a Deus Nosso Senhor pelos votos religiosos.

Com efeito: quando contava vinte e seis anos de idade, chamou às portas de nossa Congregação querida, que lhe foram carinhosamente franqueadas, iniciando sua vida religiosa no Noviciado da célebre ex- Universidade de Cervera.

Um ano mais tarde, em 15 de Setembro de 1895, consagrava-se definitivamente ao Senhor e ao Imaculado Coração de Maria pela Profissão Religiosa.

Jovem de grandes esperanças, os Superiores logo lançaram as vistas sobre o mesmo, para distingui-lo com sua confiança. Foi escolhido para tomar parte da Primeira Expedição de Missionários Cordimarianos, que vieram estabelecer-se nesta cidade de São Paulo.

Pode-se dizer que, pelo espaço nada curto de 50 anos, aqui exerceu suas atividades, até que a morte no-lo arrebatou. Cinquenta anos passados no exercício do cargo de sacristão, num Santuário de grande movimento como este de São Paulo, são a prova mais frisante das belas virtudes que lhe ornavam a alma e que o tornaram sempre merecedor da confiança dos seus Superiores.

Dotado duma simplicidade encantadora, aliada a uma delicadeza de trato sem ficção, o bom Irmão José sabia conquistar com sua bondade o coração de quantos o tratavam.

Teve o dom especial de conquistar a infância e a juventude. Por muitos anos foi Diretor e organizador do Catecismo Santuário, e é voz comum que o Catecismo, sob os seus cuidados, regurgitava de crianças, fazia numerosas comunhões e realizava piedosas festas.

O seu espírito organizador se dedicou também à Juventude e conseguiu arregimentar, em torno da bandeira de São Luís Gonzaga, um numeroso grupo de jovens que formaram, em seu tempo, uma das associações mais florescentes do Santuário. Até hoje, aquela mocidade de outrora conservou para o bondoso Irmão José uma recordação de saudade e de reconhecimento. Muitos deles ainda o confessam. Se nas diversas vicissitudes da vida continuaram a trilhar os caminhos da virtude, devem-no, depois da graça de Deus, aos conselhos salutares e às orientações carinhosas do saudoso Irmão José.

Entre os muitos triunfos que conquistou neste campo da juventude, poderíamos enumerar diversos sacerdotes que foram por ele encaminhados aos degraus do Altar Santo.

O Exmo. Sr. D. Gastão Liberal Pinto, Bispo de São Carlos; Monsenhor Francisco Bastos, Vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Consolação; o Cônego Luiz Gonzaga de Almeida, Vigário de Santa Cecília, e o Padre Ângelo Gioielli, Vigário de Santo Eduardo, reconhecem que a sua elevação à dignidade sacerdotal a devem, inicialmente, ao Irmão José.

            O Iram José gozava duma saúde a toda prova. Parece que uma única vez estivera doente em toda sua longa existência. A segunda vez que a enfermidade lhe saiu ao passo, foi para derrubá-lo desapiedadamente. Aos primeiros sintomas da doença que se manifestou com fortíssimas e veementes dores na região costal, procurou-se o concurso de diversos facultativos; fizeram-se mil e um exames de laboratório, tudo para ficar na incerteza de um diagnóstico mal definido.

            Uma coisa apenas estava positivada: a doença não tinha cura. Foram dois meses de cruciantes dores e de horrorosos sofrimentos que esgotaram completamente a resistência física do paciente.

            Os exemplos de virtude acrisolada (apurada) que neste lapso de tempo ofereceu aos seus irmãos constituíram um dos quadros mais belos de sua vida espiritual.

            Tranquilo e resignado, sofria os incômodos da doença com a paz do justo que tem consciência do prêmio que o espera.

            Sua gratidão e reconhecimento lhe transpareciam no rosto, cristalizando em palavras saturadas de agradecimento quando recebia qualquer serviço de algum dos seus irmãos.

Pouco a pouco as energias vitais de nosso Irmão foram definhando. E pelo cair de uma tarde melancólica de Abril, quando o sol moribundo, encostado na curva do horizonte, emitia seus últimos revérberos, apagava-se a vida daquele homem, que foi a bondade personificada; extinguia-se o último alento daquele Religioso, que partia deste vale de lágrimas para receber no céu a recompensa de suas virtudes.

            A notícia do seu passamento vestiu de luto o Santuário do Coração de Maria e encheu de profundo pesar o coração de todos os frequentadores do mesmo, que votaram ao bom Irmão José grande veneração e dedicada estima.

            Assim o manifestaram por ocasião de seu enterro que foi uma verdadeira consagração.

            Paz à grande alma do benemérito Irmão José, cuja vida humilde e laboriosa nos oferece abundantes exemplos de virtude. A Província Brasileira, que ora se prepara para a celebração do seu quinquagésimo aniversário, deposita uma coroa simbólica de sempre-vivas sobre os restos mortais dum dos seus fundadores, ao mesmo tempo que vem queimar sobre sua tumba o incenso odorífero de uma sentida prece em sufrágio de sua bela alma. Descanse em paz.

Livros do Necrologium Claretianum

Navegue no Necrologium Claretianum

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31