Domingo, 5 de fevereiro de 2012
5º Domingo do Tempo Comum
Santos do Dia:Santa Águeda, Virgem e Mártir (Memória); Abraão de Arbela (bispo, mártir), Adelaide de Bellich (abadessa, virgem), Águeda Hildegarda de Caríntia (viúva), Agrícola de Tongres (bispo), Albino de Brixen (bispo), Avito de Viena (bispo), Bertulfo de Artois (abade), Genuíno de Brixen (bispo), Jacó (Patriarca bíblico do Antigo Testamento), Modesto de Salzburgo (monge, bispo).
Primeira leitura: Jo 7,1-4.6-7
Meus dias se consomem sem esperança
Salmo responsorial: Salmo 146
Louvem o Senhor que cura os corações quebrantados
Segunda leitura: 1Cor 9,16-19.22-23
Ai de mim se não anunciar o Evangelho!
Evangelho: Mc 1,29-39
Jesus cura a sogra de Pedro e outros enfermos
A leitura apresenta Jó mergulhado em um grande sofrimento. Diante de seus amigos abre o coração e manifesta sua desilusão. Eles, que defendem uma teologia distante da vida, não podem compreender a queixa de seu amigo nem acompanhá-lo plenamente em sua dor.
O grito de Jó está presente na vida diária de muitos homens e mulheres em todos os rincões do planeta, que enfrentam uma vida de luta e dificuldade. Jó compara sua existência com a via de um “mercenário”, quem vende sua força de trabalho por dinheiro em causas que não são suas e se cansa por empreendimentos que não ama.
O livro de Jó, como sabemos, é uma jóia literária dentro da Biblia hebraica (na qual está baseado o nosso Novo Testamento). É uma reflexão sapiencial sobre esse problema insolúvel, ou melhor, sobre esse mistério eterno que é o “mal”. O mistério do mal é uma presença injustificada no mundo.
O mistério do mal poderia ser uma justificativa para quem poderia ser responsabilizado pela existência do mal: Deus poderia ser responsabilizado pela sua presença? Porém, a “teodiceia” apenas mostra a existência de Deus, quer dizer, “justifica” a Deus, como a própria etimologia da palavra expressa.
O importante no livro de Jó não são os “dados históricos”, que não existem. Na verdade, o livro de Jô não é um livro histórico, nem suas respostas são de tipo explicativo que gostaríamos ouvir sobre a questão da dor humana, hoje absolutamente ultrapassadas, mas o que importa é a sabedoria de suas reflexões.
A ciência avança a cada dia. Não teria sentido hoje estudar a ótica na obra de Newton, mesmo que ele tenha sido um de seus fundadores, pois sua obra está hoje cientificamente ultrapassada. Porém, nem sempre avançamos diariamente em sabedoria, que não está no mesmo plano da ciência. Hoje a humanidade continua vivendo da sabedoria de personagens como Confucio, Buda, Sócrates, Jesus... Na realidade, não avançamos naquela sabedoria fundamental adquirida faz três mil anos... Essa constatação nos permite escutar e ler o livro de Jó.
Paulo, de maneira parecida a Jó, entra em uma discussão acalorada com seus interlocutores da comunidade de Corinto. Grupos contrários ao seu modo de pensar o criticam e questionam sua autoridade (v. 3). Paulo responde fazendo uma defesa pessoal e radical de sua missão, e declara sua absoluta liberdade frente a toda manipulação de poder humano.
Não se declara membro de um movimento ou representante de alguma instituição, mas um homem “obrigado a cumprir uma tarefa”. No império Romano era comum a prática do clientelismo, no qual o benfeitor se convertia em patrão de quem recebia seus benefícios. O apóstolo deseja deixar claro a pureza de sua mensagem. Ele não está se vendendo a ninguém “cliente”, nem é moldado por nenhum interesse pessoal (v. 18-18).
Esta liberdade em Cristo, permite ao apóstolo ser um servidor dos demais. Não teme moldar-se às condições de vida dos destinatários de sua mensagem: judeus, seguidores da lei, rebeldes e fragilizados. Paulo anuncia assim o Evangelho da liberdade, que não compactua com a rigidez, nem faz o jogo de nenhum interesse particular ou sectário, mas que é capaz de entrar em dialogo com a diferença e de chegar a “todas” as realidades humanas, como uma Boa Noticia do amor de Deus.
Isto é precisamente o que faz Jesus no evangelho de Marcos: entrar na vida das pessoas, ser um deles em seu cotidiano. No domingo passado vimos Jesus curando um endemoninhado. Hoje o acompanhamos com Simão e André na casa de Pedro. A casa, o lugar íntimo onde se partilha o teto e a mesa. Aí se encontra com uma anciã doente, a sogra de Pedro. Jesus se aproxima, toma-a pela mão e ela se levanta. Um gesto simples: aproximar-se e tomar a pessoa pela mão faz o milagre de recuperar a mulher. O melhor de tudo é a cura não é somente da saúde, mas também a capacidade de servir. Ao entardecer, muitos vieram buscá-lo, conforme relata o evangelista, pois Jesus continuava curando.
Era comum na época de Jesus que os enfermos fossem considerados malditos ou possessos por espíritos maus, rejeitados, excluídos. Ninguém se atrevia aproximar-se deles. Jesus, ao contrario, se entrega com amor e dedicação ao seu cuidado, fazendo-se servidor.
A prática da cura, a luta contra o mal, isto é, a práxis libertadora do ser humano... é a prática habitual de Jesus. Tão importante como fazer o bem, é evitar o mal, é lutar contra ele: dar a vida em defesa da paz, saúde, bem-estar, felicidade... a todos os carentes dessas realidades. Ser cristão é, entre outras muitas coisas, lutar contra o mal, não ficar de braços cruzados ou ensimesmados nos próprios assuntos, quando vivemos em um mundo com as cifras tenebrosas de pobreza e miséria que hoje padecemos.
“Anunciar hoje o Reino” não é questão somente de palavras; exige simultaneamente compromisso. A “evangelização” hoje será como a de Jesus. O “anuncio” da boa noticia não é simplesmente transmitir informação... mas fazer, construir, lutar contra o mal; curar, reabilitar os irmãos, colocar-se a seu serviço, acompanhar e dignificar a vida como manifestação da mão criadora de Deus.
Oração
Pai criador, escuta e atende os clamores da humanidade. Em Jesus nos mostraste o projeto de bondade e liberdade para teus filhos e filhas. Faze de nós pessoas de fé audazes, livres de todo afã de domínio ou ganância e que saibamos ser servidores de todos, especialmente de teus filhos sós e abandonados. Que sejamos construtores de um mundo sem exclusões. Que todos tenhamos igual dignidade e iguais oportunidades. Que os sofredores possam um dia levantar-se e realizar-se e alcançar plena paz e bem-estar. Tu que vives e amas pelos séculos dos séculos. Amém.
Início do ministério de Jesus
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São João I
523-526 – papa e mártir – "João" significa "Deus é misericordioso" O papa João I nasceu em Senas, na Toscana e foi o 53 sucessor de Pedro, pontificando de 523 a 526. Seu pontificado foi marcado pelo conflito entre os imperadores Justino I, o Católico, e o ariano Teodorico, o Godo. Teodorico governava o império do Ocidente e Justino I, o império do Oriente. Por volta de 524, Justino I publicou um edito, ordenado o fechamento das igrejas arianas em Constantinopla e a exclusão dos seguidores de Ario dos cargos civis e militares. Teodorico reagiu contra tais medidas e forçou João I a uma viagem a Constantinopla para solicitar a revogação do edito. Ao chegar em Constantinopla, João I foi recebido pelo imperador e pelo povo com honrarias e festas. Além de satisfazer parte das reivindicações, o próprio imperador Justino fez-se coroar pelo papa, o que desagradou a Teodorico. Acusado de cumplicidade com o imperador Justino, João I foi lançado na prisão, onde morreu de fome e de sede em 526. Testemunhas de nossos tempos Héctor Gutiérrez, Zelmar Michelini – Militantes cristãos comprometidos com a justiça, assassinados em 1976, no Uruguai. Oração da perseverança na verdade Deus, nosso Pai, basta olhar ao nosso redor para constatar que o mundo tem necessidade do vosso amor e da vossa ternura. Sonhamos com a paz e a fraternidade, mas andamos ainda tão distantes uns dos outros, separados pela mentira, pela vingança, pelo ódio, pela violência. Senhor, dai-nos hoje a graça de nos firmar na verdade, crescer na justiça e perseverar na solidariedade. Que a vossa verdade nos liberte de toda mentira, dissipe o que nos turva, desate o que nos amarra. Que a justiça supere a malícia, faça cair todo escudo, desarticule o que é perverso e anule toda perfídia. Que a solidariedade exorcize os egoísmos, transforme em júbilo todos os reclamos, faça reacender a chama da universal fraternidade. Ajudai-nos a preservar a dignidade de filhos de Deus. Inspirai-nos sentimentos de coragem, de entusiasmo, de ousadia na luta contra tudo aquilo que nos escraviza e nos oprime. A vós somente rendemos graças e prestemos nosso culto de amor. Amém.
CLARET
CONGREGAÇÃO
CLARETIANOS DO BRASIL